Essa Graúna sente.
Sente amor, admiração, saudade. Sente o tempo se fazer agoras e sente o agora
se estender em quandos. Hoje, essa Graúna sente cheiro de festa no ar. De festas,
para melhor dizer. Festas de aniversário, uma das minhas preferidas. Gosto de
festejar a vida dos que gosto, é isso. E me dedico a cantar parabéns
desafinadamente e fora de ritmo, batendo estrondosas e festivas palmas, gosto
de escolher mimos pra presentear (mas nem sempre minha carteira me deixa, essa
estraga-prazeres), gosto de fazer votos de vida feliz, feliz, feliz; gosto de
parabenizar pelo bom ou mau gênio, pelas escolhas (certas ou erradas, que
importa, o bom é poder escolher), pelas características que admiro ou
compartilho (e às vezes, até são as mesmas, laralilá); gosto de comemorar,
gosto de festinhas, festejos, festonas...Gosto, gosto, gosto.
Mas nem sempre
gosto e geografia se afinam. Hoje tem festa do outro lado do mar. É um dos
aniversários da minha mãe. E eu que já telefonei na quase madrugada dela pra
fizer meu oba-oba esfuziante, fico aqui com saudades de deitar no seu colo e
falar bobagem e rir alto. É aniversário da minha mãe e fico desejando que a
vida seja gentil com ela, mais do que já foi, tanto quanto ela é comigo e com
meus amigos, fico torcendo pra vida cuidar dela um pouco mais, como ela sempre
cuidou de mim e das pessoas que gosto.
Hoje tem (mais)
festa do outro lado do mar. É aniversário da Hertenha, amiga que quando soletro
seu nome, digo assim: s-e-m-p-r-e. Hertenha é movimento. Energia e beleza feito
corpo que é arte, que é abraço, que é expressão. Amiga que se preocupa. Amiga
que ri junto. Amiga que cuida. Amiga que arranca a casca da ferida pra não
supurar. Amiga que não tem pejo de ser. É aniversário da Hertenha e eu fico
aqui desejando que a Sofia um dia saiba o amor por ela como eu sei o meu amor
pela minha mãe. E que seja em risos, em colo, em abraços.
Hoje tem (mais e
mais) festa do outro lado do mar. É aniversário da Deborah, que chegou depois
que eu pensei que não chegaria mais ninguém. A amizade da Deborah é como um
passeio em uma cidade que se ama. Há aprendizagens, encantos e muita pausa pra
cerveja. A gente esquece o medo de se perder porque, veja bem, todo lugar é
bom. É aniversário da Deborah e eu fico aqui desejando que ela se saiba, um
pouquinho, como eu a sei, em coragens e belezas. Que a vida lhe seja em amor,
esse amor que falta, que aponta, que permite.
Eu não desejei
felicidade a elas, porque elas são daquelas, das que fazem acontecer. E eu fico
aqui, querendo estar ali. No abraço. Na festa.
*****
Mas tem um lugar em mim que não se fez riso nem folguedos, um lugarzinho meio órfão do Vanzolini. Eu sei que bla-bla-blá whiskas sachê, vida bem vivida. mas saber não acaba com esse oco que faz eco das canções que não serão. Como se diz no
twitter: "tem morrido muita gente que nunca tinha morrido antes". E
uma porção dessas gentes eu não me incomodava de receber numa festinha cá em casa, com
violão, cantoria, cachaça e papo, especialmente papo. É fato: os bons morrem cedo (não importa se 89, 99 ou 109, se é bom, é cedo).
É provável que ele tenha ido sem pena. Fico eu, penando. Ficamos.





