Eu sou um clichê
ambulante. O que for óbvio amar, eu amo. Assim, logo se deduz que entre as
Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Estação Primeira de Mangueira é dona do
meu coração. A Mangueira, com seus títulos e glórias me ensina, ano após ano,
que Carnaval é antes de tudo, pra ser brincado. É espetáculo e competição, mas
é principalmente uma festa. Isso é respeito à comunidade, ao samba, ao
carnaval. Gosto do que a Mangueira me transmite e do que ela representa. Gosto
de lembrar: Jamelão. Gosto de ouvir a avenida inteira cantando. Gosto da
tradição misturada com audácia. Gosto que a escola não seja “certinha”. Gosto dos
fantasmas que a Mangueira faz sambar cada vez que pisa no Sambódromo. Gosto que
perca pontos em critérios “técnicos”. Gosto dos desfiles na contramão. Gosto
dos enredos sobre personagens importantes, o desfile que tinha Chico
Buarque como tema vai fazer sempre parte do meu imaginário. Gosto sempre,
sempre, da minha Velha Guarda.
Amar a Mangueira é fácil. Ela se entrega, inteira, ao desfrute. É escola sem receio de ser popular. Sem medo do óbvio. Das emoções extremas. É escola que samba chorando e cantando. É desfile sem vergonha de ser intenso. Amar a Mangueira é clichê, disseram. Escolha de quem vê de longe. Pode ser, não duvido. É a beleza intensa que cativa, que atravessa a fria distância e homogeneização da tv e esquenta o coração. Meu corpo vibra no ritmo do Surdo da Mangueira. A Mangueira é o samba que mora em mim.


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