Eu não sou carioca.
Sou sertaneja. Não tenho a pele dourada de Ipanema, não tenho a malícia da Lapa
e nem sei sambar miudinho. Mas. Pois é. Desde que eu aprendi a dizer assim: eu!
primeira pessoa, singular e peculiar, tem carioquices que me comovem e, de
certa forma, me fizeram ser quem sou. O Flamengo, por exemplo. O calçadão de
Copacabana. Os joelhos da Nara. Uma sensação de que se está no mundo a passeio.
E, principalmente, escolas de samba. Pois é, sou dessas. Ano após ano -
engolindo a transmissão da Globo e tudo – sento de frente à tv e assisto o
desfile. Tenho Escola, pode rir. Mangueirense, choro sempre quando vejo a
escola na avenida, e vivo dividida entre a vontade de desfilar e o temor de eu
não consiga apreender toda a magia estando lá. Cantarolo, de vez em quando, “mangueira
teu cenário é uma beleza que a natureza criou...” e passei a gostar ainda mais
do Chico Buarque (se é que isso é fisicamente possível) por ele fazer show na
quadra pra ajudar a Escola. Dizia Nelson Rodrigues: "Supõe-se que todas as
alegrias se parecem. Mas a verdade é que a alegria rubro-negra não se parece
com nenhuma outra. Não sei se é mais funda, ou mais dilacerada, ou mais santa.
Só sei que é diferente." Diferente, especial, pecular, eis a Mangueira.
Mas não é única em sua beleza. Admiro a tradição da Portela, seu Paulinho e seu
azul, a mística de uma escola que foi tão grande que sua enorme história até
dificulta seu reerguer. E, claro, Império Serrano. Por causa dela. Linda, diva,
inspirada e inspiradora Dona Ivone lara. Toda reverência a essa mulher que
trazia o samba no pé, nos olhos, no riso, na serena beleza de cada letra. Diversa
e pioneira, toca cavaquinho, trabalhou com Nise da Silveira e foi a primeira
mulher a fazer parte da ala dos compositores. E com a suavidade pra escrever “o
vento vadio embalando a flor”. Quando escuto D. Ivone Lara, é como se
reencontrasse um pedacinho de mim que eu desconhecia. Deve ser o pedacinho
carioca.
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1 Revelações:
lu, eu tenho uma vizinha magueirense doente, que desfila todos os anos. Ela é daquela típica pessoa da comunidade da escola, que desfila por amor, que vai a todos os ensaios. O irmão dela é presidente de ala, mora quase do lado da quadra. ela tem cada história de carnaval pra contar.Vc ia gostar de conhecê-la.
Eu já desfilei pela mangueira,mas não torço pela escola. Como boa carioca sensata, sou salgueirense, e acho que só gringo gosta da Mangueira. =p
Implicâncias à parte, eu sou louca pelo carnaval de avenida e achei que ia morrer quando ouvi o hino da mangueira na concentração. O desfile é grandioso demais, é lindo demais, é cansativo demais e vc tem que experimentar um dia.
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