Eu Não Sou Carioca*

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012



Eu não sou carioca. Sou sertaneja. Não tenho a pele dourada de Ipanema, não tenho a malícia da Lapa e nem sei sambar miudinho. Mas. Pois é. Desde que eu aprendi a dizer assim: eu! primeira pessoa, singular e peculiar, tem carioquices que me comovem e, de certa forma, me fizeram ser quem sou. O Flamengo, por exemplo. O calçadão de Copacabana. Os joelhos da Nara. Uma sensação de que se está no mundo a passeio. E, principalmente, escolas de samba. Pois é, sou dessas. Ano após ano - engolindo a transmissão da Globo e tudo – sento de frente à tv e assisto o desfile. Tenho Escola, pode rir. Mangueirense, choro sempre quando vejo a escola na avenida, e vivo dividida entre a vontade de desfilar e o temor de eu não consiga apreender toda a magia estando lá. Cantarolo, de vez em quando, “mangueira teu cenário é uma beleza que a natureza criou...” e passei a gostar ainda mais do Chico Buarque (se é que isso é fisicamente possível) por ele fazer show na quadra pra ajudar a Escola. Dizia Nelson Rodrigues: "Supõe-se que todas as alegrias se parecem. Mas a verdade é que a alegria rubro-negra não se parece com nenhuma outra. Não sei se é mais funda, ou mais dilacerada, ou mais santa. Só sei que é diferente." Diferente, especial, pecular, eis a Mangueira. Mas não é única em sua beleza. Admiro a tradição da Portela, seu Paulinho e seu azul, a mística de uma escola que foi tão grande que sua enorme história até dificulta seu reerguer. E, claro, Império Serrano. Por causa dela. Linda, diva, inspirada e inspiradora Dona Ivone lara. Toda reverência a essa mulher que trazia o samba no pé, nos olhos, no riso, na serena beleza de cada letra. Diversa e pioneira, toca cavaquinho, trabalhou com Nise da Silveira e foi a primeira mulher a fazer parte da ala dos compositores. E com a suavidade pra escrever “o vento vadio embalando a flor”. Quando escuto D. Ivone Lara, é como se reencontrasse um pedacinho de mim que eu desconhecia. Deve ser o pedacinho carioca.


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*Mas, algumas vezes, sou. Quando leio isso, sinto que dá. Ou isso

1 Revelações:

Juliana disse...

lu, eu tenho uma vizinha magueirense doente, que desfila todos os anos. Ela é daquela típica pessoa da comunidade da escola, que desfila por amor, que vai a todos os ensaios. O irmão dela é presidente de ala, mora quase do lado da quadra. ela tem cada história de carnaval pra contar.Vc ia gostar de conhecê-la.

Eu já desfilei pela mangueira,mas não torço pela escola. Como boa carioca sensata, sou salgueirense, e acho que só gringo gosta da Mangueira. =p
Implicâncias à parte, eu sou louca pelo carnaval de avenida e achei que ia morrer quando ouvi o hino da mangueira na concentração. O desfile é grandioso demais, é lindo demais, é cansativo demais e vc tem que experimentar um dia.

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